A ação pedagógica exige de todos nós, profissionais formadores, muito mais do que o conhecimento do saber historicamente construído pelo homem. Exige que tenhamos uma visão ampla da importância de estarmos trabalhando diariamente num ambiente essencialmente humano, repleto de contrastes sob todos os aspectos: sociais, psicológicos, afetivo. Onde as vivências e os valores se diferenciam e as relações e os conflitos não podem ser evitados mas sim, mediados e encaminhados de maneira reflexiva e significativa, fazendo assim com que todos sintam-se "unidos" e "envolvidos" em um projeto e por ele responsáveis. Onde cada conquista represente um triunfo para todos e, ao mesmo tempo, cada problema um desafio a ser enfrentado em conjunto, aproveitando-se as potencialidades de cada um. Não podemos jamais esquecer dois valores importantes no ser humano: a sensibilidade e a inteligência. O sentimento ( emoção) é tão forte e inerente ao ser humano, que jamais poderá ser visto de forma dissociada da inteligência. Sensibilidade e inteligência jamais podem caminhar separadamente. Podem, sim, vez ou outra, apresentarem-se de forma mais ou menos acentuada em cada um de nós, de acordo com os nossos momentos e nossas experiências. Mas, sem dúvida, a busca pelo equilíbrio entre as duas é que torna a existência significativa.
Uma escola, portanto, deverá elaborar seu Projeto Pedagógico sem perder, jamais, de vista, o seu papel humano e sua importância na formação dos seus alunos enquanto pessoas. Deve ter a percepção de que todos devemos manter a esperança e a convicção de que a mudança é possível. A idéia de coerência profissional indica que o ensino exige do docente comprometimento existencial, do qual nasce autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém pode se contentar com uma maneira neutra de estar no mundo. Ensinar, por essência, é uma forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma decisão, por vezes, até uma ruptura com o passado e o presente. Pois "aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e à aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina".
Sabemos que Paulo Freire insiste na "especificidade humana" do ensino, enquanto competência profissional e generosidade pessoal, sem autoritarismos e arrogância. Só assim, diz ele, nascerá um clima de respeito mútuo e disciplina saudável entre a "autoridade" docente e as liberdades dos alunos. Reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia. Conseqüentemente, não poderá separar "prática de teoria, autoridade de liberdade, ignorância de saber, respeito ao professor de respeito de alunos, ensinar de aprender".
Para Paulo Freire o ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos. Os princípios enunciados por Paulo Freire, o homem, o filósofo, o Professor por excelência verdadeiramente promoveu a inclusão de todos os alunos e alunas numa escolaridade que dignifica e respeita os educandos porque respeita a sua leitura de mundo como ponte de libertação e autonomia de ser pensante e influente no seu próprio desenvolvimento.
Neste momento, não podemos nos esquecer da importância do diálogo e da visão crítica de mundo através da leitura. Pois somente assim os seres humanos se transformam em "seres comunicativos", podendo atuar para transformar a realidade ( questão concreta que os professores enfrentam na recriação da escola e da sociedade).
E aprender aler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade.
O COTIDIANO DA ESCOLA:
Devemos saber que , em uma escola, cada dia deve ser percebido de forma diferente. A escola, assim como a vida, envolve uma infinidade de relações que devem ser trabalhadas de forma a permitir-se que, através delas, cada um de seus elementos ( profissionais e educandos) descubram que são "parceiros" na busca por objetivos comuns. Onde o humano seja sempre privilegiado. Onde o respeito, o carinho e o entendimento envolvam o grupo escola, levando-os à compreensão de que "nada" se realiza sem que exista algo de fundamental: " a credibilidade" e o "respeito" à importância do papel que cada um representa nesse contexto. Onde todos sintam-se unidos em prol de um objetivo comum: " a melhoria da sociedade em que vivemos, agora e no futuro".
Os problemas passam, dessa forma, a ser solucionados de um modo mais natural, onde se percebe que o grupo interage e decide de forma consciente e comprometida.
Facilmente se verifica que as diversidades, apesar de existirem, são sempre analisadas em conjunto e conforme a visão do grupo e nunca de maneira individual e, conseqüentemente, unilateral.
O trabalho realizado de forma consciente e comprometimento necessários só levam a uma coerência de atitudes que fazem com que seja nítido e evidente o trabalho conjunto e o crescimento diário do grupo-escola ( alunos e equipe profissional) no sentido de uma identidade cada vez maior, e conseqüentemente mais produtiva.
A busca pelo humano e pela compreensão de que, cada um necessita de apoio e reconhecimento pelo seu desempenho, tornam ainda mais criteriosas as formas de trabalhar, exigindo, sempre, um comprometimento e um cuidado muito maior na forma de atuar de cada um. Através de um repensar constante, de uma procura pelo entendimento e pela melhoria das relações.
AÇÕES DESENVOLVIDAS:
- Reuniões e levantamentos de prioridades e problemas, sempre que o grupo julgar necessário uma reavaliação do trabalho desenvolvido, para um conseqüente encaminhamento de ações modificadoras;
- Projetos Especiais de Ação
voltados para: 1) Formação do leitor e escritor: através de estudos e criação de suportes para o trabalho de compreensão leitora e escritora no Ensino Fundamental; 2) Vivências culturais, consciência ambiental e qualidade de vida: estímulo às práticas comprometidas com a preservação do meio ambiente e à apropriação dos espaços culturais da cidade de São Paulo; 3) Arte-Educação, Esportes e Xadrez: diálogo com as identidades culturais dos alunos através de vivências artísticas e esportivas 4) Dinamização do uso da Sala de Leitura
; 5) Parcerias com órgãos ( Universidades, ONGs, instituições ligadas à saúde), que viabilizam atividades de enriquecimento curricular ( Tênis, Artes Marciais e Musicalização) e suporte para o trabalho pedagógico através de estagiários na Unidade Escolar; 6) Contatos permanentes com a comunidade escolar em busca da compreensão de suas necessidades, bem como no auxílio e solução de problemas comuns; 7) Exposição "Planeta Terra", planejada para ocorrer no mês de setembro, com mostra dos principais trabalhos sobre o tema "Meio Ambiente" realizados na escola durante o período.
A escola deve proporcionar aos seus alunos uma visão ampla de toda a gama de conhecimentos existentes, bem como as diferentes formas de intervenção do homem, para que ele consiga, através desses contatos, encontrar o "caminho" de "canalizar" suas potencialidades em prol da construção de um mundo onde ele se sinta capaz, inserido e agente modficador não apenas de sua realidade, como da sociedade em que vive.
DIREÇÃO DA EMEF ALMIRANTE TAMANDARÉ
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